Fotos: Davidyson Damasceno/Ascom Iges-DF

Equipe de cuidados paliativos ajuda a cuidar da saúde mental de pessoas em tratamento na unidade, como Eloilde de Assis

Medo, insegurança, instabilidade emocional. Esses são alguns sentimentos com os quais uma pessoa com câncer precisa lidar na tentativa de ressignificar a doença e encontrar um novo sentido de vida. Do diagnóstico ao tratamento, a caminhada assemelha-se a uma montanha-russa. “São muitos altos e baixos. Num dia, você está bem; no outro, não aguenta mais falar sobre o assunto”, define Eloilde de Assis, 45 anos, paciente do Hospital de Base (HB) há três anos. Apesar de difícil, a caminhada da guerreira tornou-se um pouco mais leve com o suporte de profissionais especializados.


Ela é um dos diversos pacientes que recebem apoio psicológico durante todo o processo de hospitalização na unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF). Uma rede formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais atua para amenizar os efeitos do adoecimento e promover qualidade de vida.

Acompanhada desde 2019 pela equipe multiprofissional do Serviço de Cuidados Paliativos do HB, atualmente Eloilde se sente muito melhor do que quando recebeu o primeiro diagnóstico de câncer, em 2004. “No começo, quando falava o que estava sentindo, parecia que arrancava uma coisa ruim de dentro. Hoje consigo, cada vez mais, aceitar minha condição. Não estou mais triste”, afirma.

Trajetória desde o primeiro diagnóstico
A luta da piauiense teve início com um câncer de mama em 2004. “Eu estava no Piauí quando recebi o diagnóstico. Na época, fiz todo o tratamento necessário e me curei”, conta. Oito anos depois, quando veio para Brasília morar perto do irmão, Eloilde começou a sentir um incômodo na coluna. Em uma consulta particular, descobriu a reincidência do câncer.

Foi aí que sua história no Hospital de Base começou, em 2012. Diagnosticada com um câncer na coluna e um nódulo no fígado, a aposentada iniciou novo tratamento para a doença. Até agora, foram cinco sessões de quimioterapia, além de medicações para controlar os efeitos colaterais. Em 2019, Eloilde passou a ser acompanhada pela equipe de cuidados paliativos.

Esse apoio ajudou a paciente, principalmente em 2020, quando ficou 59 dias internada no HB devido a complicações do câncer. Nesse período, também foi diagnosticada com covid-19. “Eu sofri muito, foram dias difíceis, mas, com a ajuda dos profissionais, consegui me reerguer.” A piauiense foi acompanhada por psicólogos e terapeutas ocupacionais. “Todos estavam cuidando de mim a todo momento. Esse auxílio fez toda a diferença.”

Atendimento complementar no tratamento do câncer
O Serviço de Cuidados Paliativos é uma unidade de atendimento ambulatorial especializada em complementar o tratamento de pacientes oncológicos atendidos no Hospital de Base. A equipe é composta por quatro médicas paliativistas, uma assistente social, uma psicóloga, uma terapeuta ocupacional, três técnicas de enfermagem, um técnico administrativo e uma recepcionista.

Os atendimentos visam ajudar o paciente a lidar com a doença em diversos aspectos. “O foco é na qualidade de vida. A gente trabalha com um conceito que é de ‘dor total’. Além da dor física, a gente diagnostica outras dores, como sociais, emocionais, psicológicas, espirituais. Ou seja, precisamos olhar para o ser humano em várias dimensões”, explica a psicóloga do serviço, Flávia Nunes.

Cada pessoa recebe um atendimento específico. No caso de Eloilde, a equipe trabalha com a ansiedade e a adaptação às mudanças e às limitações do adoecimento dela. “Ela chegou aqui muito fragilizada com as transformações causadas pelo câncer. Nosso primeiro passo foi acolher e ter uma postura curiosa, atenta e de escuta”, detalha Flávia. O segundo passo, segundo a psicóloga, foi pensar, ao lado da paciente, nas possibilidades que a doença traz. “A gente pensa na maneira de ela se reinventar em todo esse processo.”

O Serviço de Cuidados Paliativos atende de segunda a sexta, das 7h às 12h e das 13h às 18h, no térreo do Hospital de Base, próximo ao refeitório. As consultas são exclusivas para pacientes e familiares atendidos na unidade de saúde e são agendadas após encaminhamento dos profissionais de oncologia.

Campanha Janeiro Branco
O trabalho do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital de Base é alinhado com a campanha nacional Janeiro Branco, que busca conscientizar sobre as necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas. Também em apoio à campanha, o Iges iniciou, neste mês, a oferta de serviços psicológicos para os seus colaboradores.

Texto: Thaís Umbelino

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