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Lula em encontro com estudantes da Rede de Cursinhos (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Sem mencionar diretamente Donald Trump, o presidente destacou a importância da defesa da soberania nacional e classificou a postura firme do Brasil como uma questão de dignidade e caráter.
Durante uma aula preparatória para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, no futuro, nenhum líder estrangeiro deve tratar o Brasil com desdém. Embora não citado diretamente, a alusão foi ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, com quem Lula teve uma breve conversa telefônica no dia 6 de outubro. Ambos também se cruzaram informalmente nas Nações Unidas em 23 de setembro, momento em que acertaram manter um diálogo.
Diante de uma plateia majoritariamente formada por estudantes e membros do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula reforçou sua posição em defesa da soberania brasileira, ressaltando sua oposição ao aumento de 50% nas tarifas de exportação para os Estados Unidos determinado por Trump. Esse posicionamento contribuiu para sua crescente popularidade, com as pesquisas mais recentes indicando Lula como favorito nas eleições presidenciais de 2026.
Após o telefonema entre os líderes, o chanceler Mauro Vieira reuniu-se na última quinta-feira com Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, para avançar nas questões diplomáticas e comerciais entre os dois países. Lula enfatizou a importância de fortalecer uma visão compartilhada na América Latina: "Queremos construir uma doutrina latino-americana, com professores e estudantes dessa região, para sonharmos com um continente independente. Nunca mais aceitaremos que um presidente estrangeiro endureça o tom com o Brasil. Não se trata de coragem, mas sim de dignidade e caráter."
Na sexta-feira, Mauro Vieira encontrou-se novamente com Lula no Palácio da Alvorada para atualizar o presidente sobre o diálogo com Rubio. Segundo o chanceler, a conversa foi conduzida de forma clara e objetiva, destacando o interesse mútuo entre Brasil e Estados Unidos em avançar nas relações comerciais.
Ainda no evento, em um tom de "modo campanha", Lula fez críticas ao mercado financeiro. Defendendo o programa Pé-de-Meia — focado em prevenir a evasão escolar entre jovens do ensino médio —, rebateu as críticas sobre o impacto fiscal da medida, que beneficia estudantes de baixa renda. O presidente alegou que os banqueiros almejam recursos apenas para seus ganhos pessoais.
"A Faria Lima vai reclamar. Os banqueiros vão dizer: 'Esse governo está gastando bilhões no Pé-de-Meia que poderiam vir para nós'. Mas não estamos gastando dinheiro; estamos investindo na juventude e garantindo sua sobrevivência", afirmou.
Expansão educacional
Aproveitando a oportunidade, Lula anunciou a abertura de um novo edital público para a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). Com investimento previsto de R$ 108 milhões, a meta é apoiar até 500 cursinhos preparatórios para o Enem e vestibulares até 2026. Essa iniciativa faz parte das estratégias educacionais do governo para expandir o acesso ao ensino superior.
"O Brasil do futuro será melhor do que o Brasil de hoje. Ninguém da idade de vocês tem o direito de desistir", disse Lula ao público jovem. O presidente também reforçou a necessidade de exportar "conhecimento e inteligência", destacando que o país deve ir além da exportação de commodities como soja e minério de ferro.
A rede CPOP tem como objetivo principal proporcionar suporte a cursinhos pré-vestibulares comunitários e populares, focar na preparação para o Enem e ampliar as oportunidades de ensino superior, especialmente para jovens negros e indígenas. A previsão é que o lançamento do edital aconteça em dezembro deste ano.
Com informações da redação do Portal de Notícias e apoio do Correio Braziliense
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