Por Caio Figueiredo Especialista explica quando o sintoma precisa ser investigado e quais sinais podem indicar problemas digestivos ou car...
Por Caio Figueiredo
Especialista explica quando o sintoma precisa ser investigado e quais sinais podem indicar problemas digestivos ou cardíacos
A sensação de queimação no peito ou na garganta após uma refeição pesada é comum e, na maioria das vezes, passageira. Quando a azia passa a ocorrer várias vezes por semana, prejudica o sono, interfere na rotina ou leva ao uso frequente de medicamentos, deixa de ser apenas um desconforto ocasional e pode indicar problemas de saúde que exigem avaliação médica.
Segundo o clínico geral e gastroenterologista do Hospital Cidade do Sol (HSol), Álvaro Modesto, a principal doença associada à azia frequente é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), caracterizada pelo retorno repetido do conteúdo do estômago para o esôfago.
O médico alerta, entretanto, que nem toda sensação de queimação no tórax tem origem no sistema digestivo.
“Algumas doenças cardíacas também podem causar desconforto ou queimação no peito. Por isso, o sintoma não deve ser automaticamente atribuído à azia, especialmente quando aparece acompanhado de outros sinais”, esclarece.
Sinais que exigem atenção
Além da frequência, algumas manifestações associadas à azia indicam a necessidade de procurar avaliação médica. Dificuldade ou dor para engolir, sensação de alimento parado, perda de peso sem explicação, vômitos persistentes, sangue no vômito, fezes muito escuras, anemia e piora progressiva dos sintomas estão entre os principais sinais de alerta.
Quando a queimação no peito ocorre junto com falta de ar, suor frio, náuseas, tontura ou dor que se espalha para o braço, as costas ou a mandíbula, a orientação é buscar atendimento de urgência. Nesses casos, o desconforto pode ter origem cardíaca.
“Um sintoma frequente não deve ser simplesmente incorporado à rotina. Conviver com azia recorrente ou depender constantemente de medicamentos são sinais de que vale a pena procurar avaliação”, orienta Álvaro.
Automedicação pode mascarar o problema
Os antiácidos podem aliviar episódios pontuais de azia, queimação e má digestão. Como são facilmente encontrados nas farmácias e podem ser adquiridos sem receita médica, muitas pessoas recorrem a esses medicamentos com frequência. No entanto, o uso contínuo e sem acompanhamento profissional pode mascarar doenças, atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de efeitos adversos e de interações medicamentosas.
De acordo com o especialista, quando existe a necessidade constante de medicação, o mais adequado é investigar a causa da azia, em vez de apenas aliviar temporariamente o desconforto.
A experiência de Fernando Campos, de 56 anos, reforça a importância de associar o tratamento às mudanças de hábitos.
“Precisei recorrer a medicamentos e percebi uma melhora gradual na qualidade de vida. Hoje, consigo controlar melhor os sintomas ao equilibrar a alimentação”, relata.
Mudanças de hábitos ajudam no controle
Evitar refeições muito volumosas, não se deitar logo após comer e manter um intervalo de algumas horas entre a última refeição e o horário de dormir são medidas que podem reduzir os episódios de azia.
Também é importante observar quais alimentos e bebidas desencadeiam o desconforto, já que essa resposta varia de pessoa para pessoa. Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e alimentos muito gordurosos, parar de fumar e controlar o peso, quando necessário, também podem contribuir para a melhora.
Para quem apresenta sintomas principalmente à noite, a elevação adequada da cabeceira da cama pode ser recomendada após avaliação profissional.
“Na maioria das vezes, é possível controlar os sintomas com mudanças de hábitos e, quando necessário, tratamento medicamentoso. A avaliação permite identificar a causa, prevenir complicações e garantir um cuidado seguro”, conclui Álvaro.
Em caso de azia recorrente ou de dúvidas sobre os sintomas, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos quadros acompanhados de sinais que possam indicar alterações cardíacas, o atendimento de urgência deve ser buscado imediatamente.
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Da redação do Portal de Notícias

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