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Ambiente laboral pode oferecer riscos de acidentes com animais peçonhentos

    Saiba como prevenir e onde buscar atendimento no DF Willian Cavalcanti, da Agência Saúde DF | Edição: Natália Moura Quando se fala em ac...

  Saiba como prevenir e onde buscar atendimento no DF

Willian Cavalcanti, da Agência Saúde DF | Edição: Natália Moura

Quando se fala em acidente por animais peçonhentos, as residências são os principais locais de detecção. Mas, entre 2020 e setembro de 2026, o Distrito Federal registrou 855 acidentes de trabalho envolvendo aranhas, escorpiões, lagartas e serpentes.

As ocupações mais atingidas englobam atividades operacionais e manuais como agropecuários: 40 casos (4,7%); pedreiros: 36 casos (4,2%); caseiros da agricultura: 24 casos (2,8%); jardineiros: 21 casos (2,5%); e faxineiros: 20 casos (2,3%). Profissionais como vendedores, empregados domésticos, cozinheiros, garis, mecânicos e serventes de obras também aparecem no levantamento estatístico.

Distrito Federal registrou 855 acidentes de trabalho com animais peçonhentos, sendo as ocupações de agropecuários, pedreiros e caseiros as mais atingidas. Foto: Matheus Oliveira/ Agência Saúde-DF

 Diante do cenário, a Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça os cuidados essenciais para evitar mordidas, picadas e ferroadas, seja no trabalho ou em casa. Antes de tudo, as medidas preventivas exigem a eliminação dos fatores de risco na fonte e o cumprimento das diretrizes de segurança:

  • Controle ambiental: manter pátios, canteiros de obras e depósitos limpos, sem acúmulo de entulho, telhas ou madeira. Manter lixeiras bem fechadas para evitar a presença de baratas e roedores;
  • Barreiras estruturais: colocar telas e grelhas milimétricas em ralos prediais e vedar frestas sob portas, janelas, rodapés e caixas de passagem;
  • Procedimentos e rotinas: inspecionar e balançar roupas, uniformes, sapatos e luvas antes de usá-los. Utilizar ferramentas adequadas ao manusear materiais armazenados, evitando colocar as mãos em cegas ou frestas;
  • Uso de EPIs: tornar obrigatório o uso de luvas de raspa/vaqueta para transporte de cargas pesadas, bem como botas de cano alto ou perneiras em áreas verdes e canteiros de obras.

O que fazer após um acidente

Em caso de picada ou ferroada, o trabalhador ou cidadão deve agir rapidamente para garantir a segurança:

  • Afastar a pessoa acidentada da área de risco;
  • Manter a vítima calma e encaminhá-la imediatamente ao serviço de saúde;
  • Fotografar o animal com segurança, caso seja possível, para auxiliar na identificação;
  • Em casos de acidentes escorpiônicos, lavar o local da picada com água e sabão.

O que JAMAIS fazer:

  • Não tente capturar ou manusear o animal;
  • Não faça torniquetes, garrotes ou amarrações no membro atingido;
  • Não corte, fure, chupe ou esprema o local da lesão;
  • Não aplique substâncias caseiras como borra de café, álcool, folhas ou pomadas;
  • Não espere os sintomas se agravarem para procurar socorro.
Entre as recomendações, estão não tentar capturar ou manusear o animal. Fotos: Matheus Oliveiras / Agência Saúde-DF

 Atendimento na rede

Canais de emergência e orientação:

  • Samu: 192
  • Corpo de Bombeiros: 193
  • CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica - orientação 24h): 0800 722 6001

Outros pontos estratégicos de soro antiveneno no DF:

  • Hospital Regional do Guará (HRGu): Referência principal para acidentes escorpiônicos (Soro antiescorpiônico). Tel: (61) 3449-4988.
  • Hospital Regional da Asa Norte (HRAN): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico, antiescorpiônico e antilonômico. Tel: (61) 3449-4727.
  • Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiescorpiônico, antiaracnídico e antilonômico. Tel: (61) 3449-7746.
  • Hospital Regional de Taguatinga (HRT): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-6668.
  • Hospital Regional de Planaltina (HRPlan): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-5819.
  • Hospital Regional de Ceilândia (HRC): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-6138.
  • Hospital Regional do Gama (HRG): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-7333.
  • Hospital Regional do Paranoá (HRL): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-5306.
  • Hospital Regional de Sobradinho (HRS): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-5630.
  • Hospital Regional de Brazlândia (HRBZ): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 3449-6390.
  • Hospital Regional de Santa Maria (HRSM): Soro antibotrópico, anticrotálico, antiaracnídico e antiescorpiônico. Tel: (61) 4042-7770.

Investigação

No âmbito do ambiente laboral, a rede pública conta com a atuação dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Essas unidades realizam a investigação nesses locais afetados, orienta empresas e trabalhadores, propõe medidas de adequação sanitária e atua na notificação compulsória do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), garantindo vigilância e prevenção contínua contra novos acidentes.

Acidentes aumentam significativamente nos meses quentes e chuvosos. Foto: Jhonatan Cantarelle/ Agência Saúde DF
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 Perigos e sazonalidade: escorpião é principal ameaça

Entre todos os animais peçonhentos mapeados, o escorpião lidera as estatísticas, sendo responsável por 70,5% dos acidentes (603 casos). Em seguida, aparecem as serpentes (13,9%), abelhas (8,1%), aranhas (3,5%) e lagartas (0,8%).

A proliferação dos escorpiões no meio urbano atrela-se à facilidade de adaptação a galerias de esgoto, entulhos e frestas prediais, além da atração por baratas e restos orgânicos.

A sazonalidade é outro ponto determinante: os acidentes aumentam significativamente nos meses quentes e chuvosos, compreendidos entre setembro e março. Os picos ocorrem principalmente em setembro (83 casos), março (82) e novembro (80), período em que as chuvas forçam os animais a deixarem seus abrigos em busca de refúgio seco. 

Clique aqui e acesse o boletim da SES-DF.

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