Foto: Foto: Luiz Silveira/STF Evento fez parte da programação da Semana da Constituição, organizada para comemorar os 38 anos da Carta. Um...
Evento fez parte da programação da Semana da Constituição, organizada para comemorar os 38 anos da Carta.
Uma roda de conversa realizada nesta quinta-feira (8), no Museu Ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve como temas a participação das mulheres na elaboração da Constituição Federal de 1988 e os desafios para ampliar a presença feminina nos espaços de poder.
O encontro integrou a programação da Semana da Constituição e destacou a atuação do movimento conhecido como “Lobby do Batom” na Assembleia Nacional Constituinte.
A secretária de Altos Estudos do STF, Christine Peter, abriu o evento. Ela lembrou a importância de preservar a memória da Constituinte e refletir sobre o papel das mulheres na construção da democracia brasileira. Para Peter, a defesa da Constituição exige compromisso permanente. “Todos os dias nós decidimos que essa Constituição vai valer”, afirmou.
Em seguida, os participantes assistiram ao documentário “Palavra de Mulher”, produzido pela TV Senado em 2018. O filme reúne relatos e memórias das 26 mulheres que participaram da Constituinte de 1987 e 1988, quando representavam menos de 5% dos 559 parlamentares. A mobilização suprapartidária dessas representantes, conhecida como “Lobby do Batom”, contribuiu para a inclusão de direitos das mulheres na Constituição.
União e conquistas
Na roda de conversa, a diretora-geral do STF, Desdêmona Arruda, ressaltou que, apesar dos avanços conquistados, ainda existem dificuldades para garantir os direitos das mulheres na prática. “Essa preocupação precisa ser permanente”, enfatizou.
Carolina Gomide, diretora-adjunta do Centro de Estudos Constitucionais do STF, falou sobre a capacidade das constituintes de superar divergências em defesa de objetivos comuns. “Essas 26 mulheres nos ensinaram que dá para convergir e dá para conversar em pautas estratégicas”, afirmou. Leila Mascarenhas, secretária de Relações com a Sociedade do STF, defendeu que essa articulação continue, independentemente, das diferenças partidárias, a fim de impedir retrocessos nos direitos conquistados.
Desafios atuais
Elaine Faria, da Assessoria de Articulação Parlamentar do Tribunal, compartilhou experiências de sua participação na Constituinte como integrante de uma associação de bibliotecários. Ela recordou a intensa mobilização popular no Congresso Nacional e as dificuldades enfrentadas pelas parlamentares, inclusive a ausência de banheiros femininos nos plenários. “A Constituinte foi uma festa. A sociedade inteira participou do momento”, recordou.
A juíza-ouvidora do STF, Flávia da Costa Viana, abordou os desafios atuais da participação feminina na política, especialmente a violência política de gênero. Ela frisou a importância de combater práticas que afastam as mulheres dos espaços de decisão e ressaltou os benefícios da diversidade para a sociedade. “Quando falamos em mais mulheres na política, não falamos no benefício às mulheres. É a sociedade que ganha”, concluiu.
(Jorge Macedo/AD)
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Da redação do Portal de Notícias, com a fonte do STF

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