Brasília, DF O imaginário popular costuma associar o sucesso e o poder a coleções excêntricas. Há quem gaste fortunas colecionando obras de ...
Brasília, DF
O imaginário popular costuma associar o sucesso e o poder a coleções excêntricas. Há quem gaste fortunas colecionando obras de arte raras, carros esportivos de luxo ou até mesmo armas exclusivas. São passatempos caros, reservados a poucos. No Distrito Federal, porém, a política local nos apresenta uma modalidade de colecionismo muito mais peculiar e preocupante: a coleção de condenações judiciais.
Chama a atenção dos bastidores políticos e da população mais atenta a movimentação de um conhecido ator político da capital que, mesmo tendo passado um período curtíssimo, apenas dois anos e 15 dias, à frente do Palácio do Buriti, acumulou um histórico judicial extenso o suficiente para preencher arquivos inteiros.
A matemática do poder, neste caso, gera um questionamento inevitável e um tanto assustador para o cidadão que paga seus impostos: se em pouco mais de 24 meses o saldo de problemas com a Justiça foi tão vasto, o que restaria do Distrito Federal se a essa mesma figura fossem concedidos 8 anos (dois mandatos) de gestão?
"O engraçado é perceber a inversão de valores. Em regra, o cidadão comum se orgulha de colecionar conquistas, diplomas ou bens. Na política do DF, há quem colecione processos e, ainda assim, tenha a audácia de se colocar como a solução para o futuro da nossa cidade."
O risco da amnésia eleitoral
O grande desafio de Brasília e DF em geral, historicamente castigada por escândalos que ganharam as páginas nacionais, é combater a amnésia que costuma atacar o eleitorado às vésperas do pleito. Línguas afiadas e promessas mirabolantes tentam, frequentemente, apagar o rastro de sentenças e investigações.
O direito de concorrer é legítimo dentro das regras do jogo democrático, mas o direito de avaliar o passado com rigor é um dever do eleitor. Governar o DF exige responsabilidade fiscal, ética e, acima de tudo, ficha limpa.
Enquanto alguns seguem polindo suas "coleções" de desmandos nos tribunais, cabe à população decidir se o Palácio do Buriti continuará sendo um lugar para gerir o futuro dos brasilienses ou se virará um balcão de negócios para quem tem mais contas a acertar com a Justiça do que serviços prestados à comunidade. O DF merece mais do que colecionadores de escândalos.
Da redação do Portal Tribuna FM Brasília
Editor Responsável: Ronaldo Nunes, Jornalista

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