Nova área vai unificar atendimento, evitar que pacientes precisem se deslocar entre vários hospitais e consolidar o DF como referência no ...
Nova área vai unificar atendimento, evitar que pacientes precisem se deslocar entre vários hospitais e consolidar o DF como referência no Brasil.
Começa a sair do papel o novo Bloco de Doenças Raras do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), no Noroeste. A governadora Celina Leão assinou, na manhã desta sexta-feira (26), a ordem de serviço de lançamento do edital de licitação para a construção da área, com investimento previsto de R$ 36,9 milhões. O complexo vai funcionar dentro do HAB, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento, suprir uma demanda reprimida antiga da população do Distrito Federal e acabar com a dispersão dos serviços. Estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas convivam com doenças raras no Brasil, das quais cerca de 150 mil estão no DF.
Emocionada, a governadora relembrou a história familiar e a própria trajetória em defesa das doenças raras. “O recurso para essa grande obra eu coloquei ainda quando era deputada federal. E é uma obra para que a gente tenha um lugar onde todas essas famílias se encontrem, um lugar onde todas sejam acolhidas. Nós temos os melhores profissionais dessa área, são eles que dividem o luto com as famílias, mas com a esperança de fazer algo diferente. Isso aqui para mim é muito simbólico. Isso faz parte da minha família. Eu tenho certeza que daqui vai sair pesquisa e conhecimento, mas, principalmente, aquilo que as famílias pedem, que é acolhimento. O fechamento do diagnóstico de uma pessoa que tem doença rara é muito difícil. O meu choro, hoje, não é choro de tristeza, meu choro é de emoção, de alegria. Porque se minha vida pública terminasse hoje, teria valido a pena”, destacou a chefe do Executivo.
O valor máximo previsto para levantar o projeto é de R$ 36.897.301,22. Para dar mais agilidade e garantir a qualidade da entrega, a contratação será por meio do regime de contratação integrada. Isso significa que a mesma empresa ficará responsável por todas as etapas: a elaboração dos projetos básico e executivo (arquitetura e engenharia), a execução completa da obra e a instalação de todos os equipamentos, além dos testes e comissionamentos. Na prática, isso garante que o Governo do Distrito Federal (GDF) receberá a unidade em pleno funcionamento, pronta para começar a cuidar de quem mais precisa de acolhimento e diagnóstico especializado.
“O recurso para essa grande obra eu coloquei ainda quando era deputada federal. E é uma obra para que a gente tenha um lugar onde todas essas famílias se encontrem, um lugar onde todas sejam acolhidas".
Governadora Celina Leão
Criado para ser um verdadeiro centro de excelência, o novo bloco terá uma área construída de 4.005,72 m². O espaço foi pensado para garantir um cuidado integral — desde o diagnóstico até o tratamento e o aconselhamento genético. O projeto contempla ambientes humanizados e acessíveis, adaptados para pacientes crônicos, crianças, pessoas com deficiência e familiares.
Hoje, a Unidade de Genética do HAB já é habilitada pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Doenças Raras e é um polo estratégico para toda a região Centro-Oeste. No entanto, devido às limitações de espaço físico, a unidade ainda depende do suporte de outras unidades da rede pública para complementar a assistência prestada aos pacientes.
Com a implantação do novo prédio, o cenário muda. A estrutura vai concentrar em uma única unidade as atividades que atualmente estão distribuídas em diferentes hospitais. Isso reduz os deslocamentos dos pacientes, qualifica os fluxos de atendimento e integra ambulatórios, laboratórios e salas de infusão.
Impacto real
A importância dessa centralização ganha vida com o impacto humano gerado pelo hospital. Naiane Aparecida, de 30 anos, mãe do pequeno Levi, 3, ilustra o valor imensurável desse atendimento integrado. Levi foi diagnosticado com galactosemia clássica — uma condição perigosa em que o corpo apresenta níveis baixos da enzima responsável por metabolizar o açúcar — logo nos primeiros dias de vida, por meio do teste do pezinho. Graças à Unidade de Genética do HAB, que atua como Serviço de Referência, a moradora de Sobradinho encontrou não apenas o diagnóstico rápido, mas todo o amparo psicológico e o suporte contínuo para o tratamento do filho, desde médicos e exames até o fornecimento de leites especiais.
“Desde o começo, eu sempre fui bem amparada, bem acolhida. Eu sempre falo que é um hospital de referência, um hospital muito bom”, afirma Naiane, animada com o novo bloco. “Fiquei mais feliz ainda, porque a gente já é muito bem recebido, ampliando vai ficar melhor ainda. Eu estou super feliz por isso”, comemora a dona de casa.
A obra será executada pela Novacap. Para o presidente Fernando Leite, a construção do novo bloco tem relevância histórica e social. “Essa obra é muito importante para todo mundo que conhece a história do Distrito Federal e se preocupa com a questão da saúde. Esse é um bloco que a gente chama de centro de referência de doenças raras, que é cobrado e reivindicado há mais de 10 anos. A Novacap é responsável pelo processo licitatório e pela execução da obra. É uma obra grandiosa pela sua importância. Para quem conhece a história, para quem tem familiares com esses problemas, hoje é um dia de comemorar", celebrou o presidente.
A edificação será dividida estrategicamente em três níveis para otimizar o funcionamento:
- Pavimento semienterrado: será a linha de frente do atendimento ao público, com os consultórios e as salas de infusão.
- Pavimento térreo: o coração científico e administrativo, onde ficarão os laboratórios especializados, a recepção de amostras, a área administrativa e um auditório.
- Pavimento técnico: andar destinado aos equipamentos e sistemas necessários para manter a unidade funcionando perfeitamente.
Entre os serviços de excelência que estarão no novo centro, destacam-se a genética clínica, biologia molecular, citogenética, oncogenética, neurogenética, tratamento de doenças metabólicas e a triagem neonatal ampliada. Os pacientes também terão à disposição um atendimento multiprofissional especializado. Além da parte clínica, o projeto reserva espaços importantes para a educação permanente, a pesquisa e a articulação da rede de saúde.
Para o diretor do HAB, Alexandre Lira, a assinatura do edital representa o fim de uma longa espera e o marco de uma nova fase para milhares de famílias. "A gente já faz o diagnóstico de 62 doenças por meio da triagem neonatal. Somos o maior da América Latina, não só do Brasil. Estamos na referência mundial. Então, a gente já dá o diagnóstico desses pacientes e, agora com um centro de referência, a gente vai dar o diagnóstico e tratar esses pacientes aqui dentro do hospital em Brasília. É um local em que a gente vai acolher os pacientes, vai fazer consulta e tratar esses pacientes", comemorou o diretor.
"A gente já faz o diagnóstico de 62 doenças por meio da triagem neonatal. Somos o maior da América Latina, não só do Brasil. Estamos na referência mundial".
Alexandre Lira, diretor do HAB
Novos exames
A governadora Celina Leão aproveitou a assinatura para visitar e inaugurar a nova sala de densitometria óssea do HAB. Segundo o diretor do hospital, o equipamento vai fortalecer a rede não só do DF, mas também do Entorno. “Esse aparelho dá o diagnóstico de doenças metabólicas e da osteoporose. Como a população está envelhecendo, ou seja, a proporção de tempo para esse paciente com osteoporose é maior. A osteoporose causa fraturas e com esse aparelho é possível atender os pacientes, dar um diagnóstico precoce e tratar e prevenir a osteoporose. Com isso, melhora a qualidade de vida desses pacientes. Isso é de grande importância. Tem uma fila grande para a densitometria óssea, tem poucos aparelhos em Brasília”, afirmou.
Da redação do Portal de Notícias

Nenhum comentário